terça-feira, 30 de novembro de 2010

DO I HAVE TO CHANGE MY NAME?

Acabei de fazer um dos milhões de quizz que existem na internet sobre "que fase da Madonna mais combina com". Adorei a resposta. A fase de que mais gosto é American Life/Re-Invention Tour. E foi exatamente a que me representa.
Não resisti e fiz outro seguido, "Quem é você em Sex and the City?" Deu Carrie Bradshaw. De novo, a minha favorita!
Tanta coincidência que até estranho...
Mas me veio, automaticamente, à memória, o chapéu seletor de Harry Potter e caiu a ficha: o chapéu seleciona, apenas, oq ue realmente se quer. Ele nunca contraria a vontade do selecionado.
E é por aí mesmo o caminho: esses milhões de testes, livros de auto-ajuda, monte de tralhas que consumimos como algo que tem ä nossa cara", na verdade é mesmo a nossa cara de propósito...
ou alguém já viu propaganda que não combine com o consumidor???





segunda-feira, 29 de novembro de 2010

ALEXANDRE HERCHCOVITCH

Fuxicando o twitter alheio, vi uma frase ótima do Alexandre Herchcovitch, meu estilista favorito brasileiro:
Compra online eh tudo ! Vc não precisa se relacionar com ninguém, menos atritos.
Achei digna. Porque hoje em dia, ter contato com vendedores e outros clientes só serve para se aborrecer e sair enjoado da loja.
Virtualmente, as coisas ficam mais fáceis, não há humanos: nem quem compra é humano, nessas horas. Somos apenas um corpo virtual que lê, escreve, veste-se, calça, come, cheira: um ser virtual nada virtuoso que vive na contemporaneidade.
mas sabe o mais cômico da história? Não há mais loja virtual do Herchcovitch; Alexandre! Pois é... Eis um atrito entre o estilista e sua marca... teremos de ir às lojas, aturar o vendedor e comprar.

PRAZER, ANASTASIA BEAVERHAUSEN!

Uma das minhas séries favoritas da TV chama-se Will and Grace. Trata-se, para aqueles que não sabem o que é um aparelho de TV, de dois amigos que dividem um apartamento em New York. Até aí é apenas mais uma série. A diferença é que o Will é gay e a Grace, meio louquinha. E melhor ainda: eles têm como amigos o viadíssimo Jack McFarland e a Karen Walker. Foram oito ma-ra-vi-lho-sas temporadas, com participação de Madonna, Cher, Britney, J-Lo e mais um monte de ícones do mundo gay.
Mas o melhor do seriado, sem dúvidas, é a Karen Walker. Ela é rica, podre de rica, alienadíssima, debochadíssima, drogadíssima, plastificadíssima, alcoolizadíssima e todos os outros superlativos possíveis.
É, sem dúvidas, meu xodó do seriado.
E, também, favorita do blog, pois possui um talento INCRÍVEL para fazer autoficção. Ela tem diversas personalidades e nomes, mas o mais divulgado e reconhecido (pasmen!) é o Anastasia Beaverhausen, que tem uma bela origem: Anastasia, como a realeza russa e Beaverhausen, onde os esquilos moram. Esse nome é usado pela Karen, digo, Anastasia sempre acompanhado de lindos óculos escuros e uma leve entonação estrangeira na voz. Com esse nome, Karen liberta seu labo B e come comidas gordurosas e baratas, bebe em botecos, faz sexo com homens estranhos, usa peles sintéticas... É a chance de recriar-se para um mundo que geralmente não está tão perto.
Pois bem: ficcional como sou, intitulei-me, há anos, Bruno Beaverhausen, sobrinho de primeiro grau de Anastasia. Bruno, como o modelo histérico e tarado e Beaverhausen, bem, ... Onde os esquilos moram!
E, assim como a tia Anastasia, Bruno vive o lado B da vida. Mas o que ele faz, só Babi Siqueira sabe. E Babi é outra autoficção de uma amiga minha, mas essa vou postar depois!

BURN, BABY BURN E, EM SEGUIDA, SWIM TO THE OCEAN FLOOR

Hoje o dia está insuportavelmente quente. Parece que estou em uma estufa gigante, feito uma coxinha de galinha já rachando no calor. Bebi uns três litros de água e parece que de nada adiantou. Pior é que não há fuga: o calor destrói a energia, deixa meio lento, preguiçoso. 
E depois tem mais: esse calorão só trará uma coisa: chuva!!! E muita, provavelmente. Considerando que moro numa grande banheira, onde o poder público joga dinheiro pelo ralo, evidentemente tudo está entupido e a banheira enche. Macaé enche mesmo. Já presenciei mais de um metro de água suja, fedorenta, cheia de baratas e ratos nadando, quando morava em outra rua do centro da cidade. As águas pluviais misturam-se com o esgoto e as caixas de gordura e, numa onda fétida, invadem quase todos os bairros.
É o calor que semeia a chuva, é o bafo quente de um futuro inferno sob as águas , é uma prefeitura completamente desestruturada usando dinheiro público para entupir contas que não são as públicas!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

SANTA CRUZ!

Vila Cruzeiro é invadida pelos... POLICIAIS! A concepção de invasão mudou totalmente... antes, os bandidos invadiam, hoje, são os policiais. Em todos os canais nacionais, as mesmas imagems de helicópteros: dezenas e dezenas de traficantes correndo pelos morros, armadíssimos, planejando uma defesa. Os policiais, em tanques de guerra. Lembrei-me das guerras do Iraque, do Irã, do Líbano, da Palestina e de Israel. O povo sofre com os desmandos de quem acha que tem poder. E, no fim, quem tem o poder e decide, de fato, o que acontece, é o próprio povo. Pena que não se sabe disso: é segredo secretíssimo, coisa mais misteriosa do que como nasceu o universo.
Aqui, em Macaé, as lendas começaram cedo: ônibus queimados, comunidades bloqueadas pelo tráfico. E eu, dando aula, surpreso, com a calma que os alunos estavam. Parece que a gramática os acalma, nessas horas...
Coitado, apenas, de Jesus Cristo, que morreu no tal Cruzeiro... Santa Cruz da inquisição dos traficantes que matam inocentes!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

AVADA KEDAVRA

Sábado assisti ao sétimo e penúltimo filme da série Harry Potter: HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE. Adorei a forma como o diretor abordou os relacionamentos dos personagens, mais especificamente o de Harry, Hermione e Rony. Os três personagens mais importantes da trama formam o triângulo amoroso perfeito, já que o amor, neste caso, rompe as barreiras do desejo sexual e das aventuras inúteis, em busca de um ideal comum, a libertação de si mesmos e o processo de autoconhecimento.
O mais fiel dos filmes ao livro correspondente, o sétimo filme da saga traz à tona toda a emoção e adrenalina presentes no livro, com diálogos praticamente idênticos. Mas o final...
O final do filme, para aqueles que não leram o livro é algo sem pé nem cabeça. Propositalmente pensado a fim de atrair o público para o próximo filme, que será lançado em julho de 2011.
De qualquer forma, valeu a pena e assimq ue estiver disponível na locadora, alugo para assitir de novo. Afinal, quem não quer ver o Voldemort pronunciando o seu AVADA KEDAVRA!?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

POEMA SEM TÍTULO

Esse poema é da época de rebelião religiosa, coisa de 10 anos atrás... Algo do tipo Act of contrition, da Madonna.

Três santas mulheres olham como se estivessem indo ao paraíso.
Três santas mulheres comem como se estivessem chegando ao céu.
Três santas mulheres oram como se estivessem dando para Deus.
Três santas mulheres
Três antas mulheres
Tens santas mulheres?

PÓS-BACURI

Minha querida amiga Danielle, a mais paraense de todas as paraenses, foi a sua terra natal e trouxe-me, de presente, bombons de cupuaçu e bacuri. Hoje, após meu frugal almoço, comi um desses deliciosos. Nunca fui ao Pará, mas o gostinho azedo que senti em minha boca, após comer a gostosura, já me fez sentir o calor e a umidade daquelas terras que só têm gente maravilhosa!

I WANT TO BE ALONE

Ontem uma gripe me acertou em cheio, nocauteando-me na cama. Por isso, resgatei um clássico do cinema, para acompanhar-me na dolorosa arte de manter-se em repouso, para melhorar rápido e voltar ao stress do final de ano de um professor.
Optei por Grand Hotel, uma obra-prima do cinema, em que Greta Garbo encena uma bailarina russa, a Mme. Grusinskaya, uma depressiva e solitária mulher que se vê no final da carreira.
A primeira cena de Garbo, no filme, já é o suficiente: "I think I have never been so tired in my life" ... a fala, para mim, soa como um hino ao trabalho. Alguns minutos depois, Greta volta com seu memorável "I want to be alone... I just want to be alone". Nesse momento, desligo a TV e decido ir dormir. Também quero ficar sozinho. Na verdade, há dias ando querendo ficar sozinho. Totalmente não: com a Greta Garbo (mas ela lá na TV e eu cá, na minha cama).



Vídeo

domingo, 21 de novembro de 2010

ODE A AFRODITE

   Esse poema de Safo (poetisa da Grécia antiga) me acompanha há alguns anos... Sempre releio, para lembrar que  o amor é uma dádiva muito rara e que poucos sabem, realmente, lidar com ele.
 
Em teu trono ofuscante, Afrodite
Sagaz filha eterna de Zeus
Eu imploro: não me esmagues
de aflição
vem a mim agora, como certa vez
ouviste meu longínquo lamento, e cedeste,
e te ausentaste furtivamente da
casa de teu pai
para atar pássaros em tua áurea
carruagem, e vieste. Vistosos pardais
trouxeram-te ligeira para
a sombria terra, suas asas vergastando o médio céu.
Feliz, com teus lábios perenes, sorriste:
“O que há de errado, Safo, por que me chamaste?
O que deseja o seu tresloucado coração?
Quem deverei fazer amar-te?
Qual delas voltou as costas a ti?
Deixa que ela fuja, logo virá atrás de ti.
Recusa delas os favores, e logos serão teus.
Ela te amará, ainda que não saiba nem queira.”
Vem pois agora a mim e liberta-me
da espantosa agonia. Labora
por meu tresloucado coração. E sê de mim aliada.

Crônica de um amor anunciado - Martha Medeiros

Toda pessoa apaixonada é um publicitário em potencial. Não anuncia cigarros, hidratantes ou máquinas de lavar, mas anuncia seu amor, como se vivê-lo em segredo diminuísse sua intensidade.
O hábito começa na escola. O caderno abarrotado de regras gramaticais, fórmulas matemáticas e lições de geografia, e lá, na última página, centenas de corações desenhados com caneta vermelha. Parece aula de ciências, mas é introdução à publicidade. Em breve se estará desenhando corações em árvores, escrevendo atrás da porta do banheiro e grafitando a parede do corredor: Suzana ama João.
A partir de uma certa idade, a veia publicitária vai tornando-se mais discreta. Já não anunciamos nossa paixão em muros e bancos de jardim. Dispensa-se a mídia de massa e parte-se para o telemarketing. Contamos por telefone mesmo, para um público selecionado, as últimas notícias da nossa vida afetiva. Mas alguns não resistem em seguir propagando com alarde o seu amor. Colocam anúncios de verdade no jornal, geralmente nos classificados: Kika, te amo. Beto, volta pra mim. Everaldo, não me deixe por essa loira de farmácia. Joana, foi bom pra você também?
O grau máximo de profissionalismo é atingido quando o apaixonado manda colocar sua mensagem num outdoor em frente a casa da pessoa amada. O recado é para ela, mas a cidade inteira fica sabendo que alguém está tentando recuperar seu amor. Em grau menor de assiduidade, há casos em que apaixonados mandam despejar de um helicóptero pétalas de rosas no endereço do namorado, ou gastam uma fortuna para que a fumaça de um avião desenhe as iniciais do casal no céu. A criatividade dos amantes é infinita.
O amor é uma coisa íntima, mas todos nós temos a necessidade de torná-lo público. É a nossa vitória contra a solidão. Assim como as torcidas de futebol comemoram seus títulos com buzinaços, foguetório e cantorias, queremos também alardear nossa conquista pessoal, dividir a alegria de ter alguém que faz nosso coração bater mais forte. É por isso que, mesmo não sendo adepta do estardalhaço, me consterno por aqueles que amam escondido, amam em silêncio, amam clandestinamente. Mesmo que funcione como fetiche, priva o prazer de ter um amor compartilhado.

METALINGUAGEM

Mais um poema do saco de velharias...

Escrevi tentando escrever o que seria escrito por você.
Não consegui, desenhei aquilo que você sempre rabiscou em folhas soltas de jornal.
Cantei uma canção na voz de uma mulher perdida pelas dunas de praias jamais cantadas,
E percebi que não há outra forma de representar o que me interessa senão através dela mesma.
Palavra. Som. Voz. Grafologia.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

TOTAL ECLIPSE OF THE HEART

Nem me lembro quando ouvi essa música pela primeira vez. Acho que antes mesmo de eu nascer! E hoje, como estou com um espírito totalmente 80's, nada melhor do que a Bonnie Tyler como trilha sonora. Para os que nunca ouviram, não sabem a breguice DELICIOSA que estão perdendo. O clipe é um show à parte.

And I need you now tonight, and I need you more than
ever
And if you only hold me tight, we'll be holding on
forever
And we'll only be making it right 'cause we'll never
be wrong together
We can take it to the end of the line
Your love is like a shadow on me all of the time (all
of the time)
I don't know what to do and I'm always in the dark
We're living in a powder keg and giving off sparks

I really need you tonight
Forever's gonna start tonight
Forever's gonna start tonight

Once upon a time, I was falling in love
But now, I'm only falling apart
There's nothing I can do
A total eclipse of the heart
Once upon a time, there was light in my life
But now, there's only love in the dark
Nothing I can say
A total eclipse of the heart


O sangue de Jesus tem poder !!!

O canal Viva está reprisando a novela Vale Tudo. Eu tinha uns sete anos quando passou pela primeira vez na TV, mas as cenas clássicas de Heleninha Roitman e a morte de Odete ficaram para sempre em minha memória viciada em ficções. Revendo (deliciosamente) todos os dias, na hora do almoço e, quando aguento, às 0h45min, penso como o Brasil mudou para a melhor e como as pessoas continuam as mesmas, mesmo com um país muito mais organizado, em todos os sentidos.
Ainda estamos infestados de Marias de Fátima, Odetes, Heleninhas... Mas as Raqueis também existem, e iluminam nossas cidades, cheias de esperança, afeto e amor.
Não que a Regina Duarte me encante - pelo contrário - mas sua Raquel mudou uma geração. Em suas falas, vejo as gírias que o pessoal de 30 e poucos anos ainda usam, sinto um clima de integridade que TENTAMOS manter e a força de uma workaholic que faz de tudo para crescer, dignamente, na vida.
Mas as roupas das personagens são as melhores.. e tudo de volta, com força total... mas esse assunto fica pra outro post.
E como diria Raquel... SANGUE DE JESUS TEM PODER!


terça-feira, 16 de novembro de 2010

SONHOS

Mais um poema dos velhos tempos, quando eu achava que a poesia salvaria o mundo...
Hoje não penso mais isso, para mim, hoje, a poesia é a inutilidade wildeana. 
Amanhã, a poesia serei eu.

SONHOS

Não há nada pelo caminho que seja capaz de não permitir os passos que dou, não há nada pelo caminho que interceda contra mim. Somente há luz, esperança. Mesmo quando não há escolhas, mesmo quando não há traçados, os sonhos me acompanham. Não há o que temer.
 
Apagar do coração antigas dores e gritar agora por mim e por todos...
Não quero mudar de ser, apenas apagar meu ego e viver um sonho...
Expressar mesmo sabendo que não realizaria meu sonho idiota...
Não quero ser apenas mais um sonho de liberdade na vida...
Idealizar a sociedade sem suas doenças e ser...
Não quero compartilhar da hipocrisia...
Ouvir o que meu coração diz...
Não quero ser humano...
Urrar promiscuidades...
Não quero ego...
Sonho...

QUE POETA É ESTE?

(Affonso Romano de Sant’Anna)

Autobiografia:
    -o que vi?
    -o que vivi?
    -ou o que escrevivi
    Autobiografia: reinvenção autorizada.

E o vento trouxe...


Ontem assisti, pela milésima vez, ao nada desconhecido "E o vento levou... ". Engraçado que cada leitura é uma interpretação diferente da outra. Nunca percebi o quanto a Scarlett O'Hara é chegada em uma biritinha! Fiquei bobo como ela bebe durante TODO o filme, seja em cenas de alegria, seja em cenas mais tristes.
Isso me trouxe à mente outras bebuns deliciosas da televisão: a inesquecível Heleninha Roitman e a professora Santana.

Agora fica a questão: por que é sempre tão chique e engraçado ver as bêbadas no cinema e na TV, quando na vida real, é tudo tão deprimente? Respondo: ou as nossas personagens  sabem beber, ou as pessoas, na vida real,é que estão sem o famoso "GRAMUR".


NARCISOS

“O mito grego de Narciso está diretamente ligado a um fato da experiência humana, como a própria palavra Narciso indica. Ela vem da palavra grega narcosis, entorpecimento. O jovem Narciso tomou seu próprio reflexo na água por outra pessoa. A extensão de si mesmo pelo espelho embotou suas percepções até que ele se tornou o servomecanismo de sua própria imagem prolongada ou repetida. A ninfa Eco tentou conquistar seu amor por meio de fragmentos de sua fala, mas em vão. Ele estava sonado. Havia-se adaptado à extensão de si mesmo e tornara-se um sistema fechado. O que importa nesse mito é o fato de que os homens logo se tornam fascinados por qualquer extensão de si mesmos em qualquer material que não seja eles próprios”.

(McLUHAN, Marshal. Os meios de comunicação como extensão do homem. Trad. Décio Pignatari. São Paulo: Cultrix, 1971.)


Machado upside down!


A crônica estava pronta. Eu falava sobre uns assuntos quaisquer sobre Machado de Assis. Porém, depois de ver a exposição, no Museu da Língua Portuguesa, sobre o bruxo de Cosme Velho, tudo mudou. O tema é o mesmo, mas as figurações são outras...
Deparei-me com cadeiras flutuantes, milhares de livros, rolos de papel, retalhos, fotografias, móveis, documentos, manuscritos dos romances: uma aura única. Estava acompanhado de uns queridos amigos, lá encontrei outros. Tudo bem machadiano, tudo muito sutil. Por cerca de uma hora, vi toda a exposição. Num corredor torto, onde as cadeiras estavam ao avesso, as paredes eram tortas, e as pessoas, nauseabundas, caminhavam sem saber direito o que acontecia, eu ia pensando, lucubrando.
Retomo o conceito que se atribui ao romance de 1881, Memórias póstumas de Brás Cubas, considerado como primeira obra realista no Brasil. Usando as sensações experimentadas naquele museu e também com a leitura do romance, o que sempre vi foram caleidoscópios surrealistas avant la lettre, uma profunda discussão filosófica e um bovarysmo latente que só um artista conseguiria elaborar.
O realismo machadiano tem pouco a ver com os princípios europeus do movimento, constituindo-se num realismo à parte, talvez, melhor numa estética simplesmente machadiana, sem vínculos estéticos determinados, pela abrangência e magnitude de sua obra. Então, o que há de Realista em Machado? Talvez nada. Talvez tudo. Porque desvendar um segredo dele é remexer em feitiços muitos velhos e aporéticos.


sábado, 13 de novembro de 2010

SABATINAS

Sábado, para mim, ainda é medieval, pois sempre tenho de rever tudo o que foi feito durante a semana e, caso algo dê errado, sou punido com a perda do domingo.
E o avaliador é o pior de todos: eu mesmo!
Parece que quanto mais o tempo passa (acelerado), mais tarefas, mais obrigações adquiro. Surge uma vontade louca de correr até a primeira praia vazia existente e deitar (mesmo hoje, um dia frio e nublado)  para ficar pensanso em como me livrar das obrigações que não tenho muita vontade de cumprir.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

POESIA DE MIM PARA MIM!

Essa poesia nasceu em uma aula de Literatura Portuguesa, na época em que cursei a faculdade. A fala de uma professora instigou-me e pronto, ela está aí.

JUNIOR

Estrelas que aparecem pela noite
Banham o coração do apaixonado
Levam ao destino, à Deusa
Pelos sentimentos e baladas
Quem vive nunca sofre...
Tolera, ama, segura.
Escapa da morte a alegria
Da superação de quem já foi um dia...

O amor revela a luz
Existente no coração do amado...
Quem nunca morreu de amor,
Ainda não descobriu o que foi guardado...
O medo do amor é a dor
De poder enxergar a perda...
Mas como diz a doutora,
Quem amara, nunca perdera.

MEMORIES

Depois de postar o texto que escrevi, há alguns anos, baseado na fotografia das balas Soft (ela ainda é all times favorite picture), recebi outra imagem capturada pelo mesmo fotógrafo, o Leonardo Fosse, que em seu site, tem o título de Jardim Secreto.
Eu, rebeldíssimo, já resolvi mudar o título da foto, pelo menos aqui, onde tudo acaba se tornando meu. Aqui, ela será Memories:

Olhar dois bancos vazios, para mim, sempre representou a ideia clássica de ausência, de saudade. Mas nessa foto, a ausência de pessoas é a presença é a lacuna que sempre temos e que algo muito bom nos preenche. É a presença de afeto, de sutilidade, de carinho, de delicadeza: da memória de boas emoções. E somente nós, humanos, podemos sentir em toda a plenitude.
A visão que não temos do horizonte parece proposital: o céu olha-nos nessa foto. E somos aqueles que acabamos de sentar naqueles bancos. Enxergo até as marcas de pés, daqueles que pegaram duas folhas de uma cúmplice do momento: a árvore, calejada e muda em sua sabedoria de vegetal.
Minhas memórias levam-me para o livro As brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, quando as personagens Igraine e Uther sentam-se no alto de uma falésia e rememoram suas vidas passadas. É uma das partes que mais me emocionaram no livro e, evidentemente, o que me provoca compartilhar a foto.
Essa Memories é querida pois resgata-me uma verdade: por mais que enxerguemos a ausência, é a certeza de que o que estava ali que faz valer a pena. E é por isso que posso chamar essa foto de ARTE.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

QUAL É O CAMINHO?

Esse poema-quase-papo-de-bêbado nasceu num dia de entediante trabalho, há uns seis anos. Foi na época em que Madonna lançou American Life. A letra de Easy Ride me deu essa vontade.  

QUAL É O CAMINHO?

Percorri por muitos mundos, andei por tanto lugares.
Cansei e decidi parar.
Fui e fui, andei em círculos
procurando o caminho certo.

Rodei, rodei,
através dos tempos.
Caí, caí,
perante a humanidade
Rasguei meu ego.
Descobri que amo você.
Mas esse é o caminho certo?

Eu posso ver
que não há caminhos...
apenas círculos
Que me levam até a minha casa.

Rodei, rodei
Caí na encruzilhada
Rasguei, rasguei
todos os meus medos
Senti que não há amanhã
Descobri que eu não sou tudo.
Mas esse é o caminho certo?


Xoxota atropelada

Hoje, em minha aula de Redação, estávamos trabalhando a correção de textos, técnica que sempre utilizo com os alunos, para perceberem no texto alheio as falhas mais comuns que comentem em suas escritas.
Eis que um grupo muito risonho de meninos entrega-me a correção do texto de um grupo de meninas com um comentário no cabeçalho: XOXOTA ATROPELADA.
Um plágio! Pois a fala fora minha, semanas antes, exemplificando a importância de não rabiscar as palavras no texto, como se fosse uma xoxota atropelada no trilho de trem, mas sim anulá-las com um risco sobre o deslize. O tal grupo de  meninas cometeu o lapso e, imperdoavelmente, os meninos logo marcaram a falha com a escrita da minha fala.
Escribas dos outros, os meninos cairam na arapuca clássica do provérbio latino: A fala voa, a escrita mantém-se. Esqueceram-se que o falar é passageiro e difícil de ser capturado, com valor coloquial, já a escrita é eternizada no papel, tem um caráter formal.
Perderam, pois, a chance de deixar a "xoxota atropelada" da outra lá, quieta, passível de condenação pela banca examinadora!!!


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Im nin´alu

A música Isaac, lançada pela Madonna no álbum Confessions on the Dance Floor, de cara, foi uma das que mais me encantou. A batida meio oriental me deixou louco. Essas são as minhas partes favoritas da letra.

Wrestle with your darkness
Angels call your name
Can you hear what they're saying?
Will you ever be the same?


The generous truly know
What will be given
If they don't stop, you know
The gates of heaven are always open
And there's this God in the sky and the angels
How they sit, you know
in front of the light
And that's what it's about


Márcia Frazão

Há sempre elementos externos que nos fazem amadurecer, quando passamos da adolescência para a vida adulta. Alguns são marcados de forma dolorosa, não afetiva, sem a delicadeza e a sutilidade.
Eu fui abençoado com os livros da Márcia Frazão. Comecei a deixar de ser um adolescente preconceituoso, chato, que acreditava ser o meu umbigo o centro do universo. E o caminho deu-se por algumas obras:




Neles, aprendi que ser humano é ser coletivo, é deixar-se vivenciar, sentir o mundo e ser sentido por ele. É mergulhar, sem medo, no que há de mais profundo de si.

Com meus nós desfeitos, recebi Afrodite, que só se aproximou de mim depois de constatar a dissipação de todos os valores que eu carregava como um fardo. Seu corpo traçava as ondulações da serpente mítica, aquela que indicou às mulheres os caminhos transgressores e a curva própria dos desejos ilícitos... de seus olhos explodia o vulcão luxurioso das noites em que as fêmeas uivam para a Lua, expostas como uma flor indecente à procura de uma narina gulosa que a engula. Suas mãos exibiam o balé profano das carícias proibidas, o contorno infernal dos tabus e a curiosidade das explorações obscenas. 

PLEASURE

Mais uma poesia da adolescência. Essa me lembro quando escrevi. Foi depois de ler, pela primeira vez, Ismália, de Alphonsus de Guimaraens.

PLEASURE

Caçar baleias, com arpões de luz azul
Piscar os dois olhos e ver este momento no espelho
Pintar o espaço-livre entre o você e o outro
Escrever poemas sobre nada, e dizer tudo
Falar sobre o que não sabe e aprender com isso
Tomar limonada quente com churros gelados
Rir de si mesmo depois de cair duma escada e quebrar as duas pernas
Voar bem alto, e lá de cima, perceber que a terra é o melhor lugar
Morrer e voltar para contar como é
Exalar as pétalas de magia que habitam em mim nas noites de lua crescente
Pular pelas várzeas que estão dentro de mim, fluindo e influindo o mundo. Não aquele mundo onde tem casas, árvores, janelas e pessoas, mas um mundo só meu, que é o maior de todos, mas cabe dentro da minha cabeça.
Esse mundo dá uma idéia de universal. É rasgado, é louco, é pintado de tinta guache.É meu mundo cantado pelas musas
Ser Ismália e pular da torre.

tadinho do Drummond

Essa  poesia deve estar completando uma década, ou mais. Fiz antes de entrar na faculdade e me achava o maior poeta do mundo. Bem, ainda me acho alguma coisa, mas essa poesia...

EASY RIDE

No meio do caminho tinha uma casca de banana.
Uma casca de banana tinha no meio do caminho
Tinha uma casca de banana
No meio do caminho tinha uma casca de banana.
Pisei. Escorreguei. Cai de joelhos. Ralou. Doeu.
Levantei, peguei a bendita casca, joguei no lixo e segui em frente.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Trabalhos de escola...

A manhã rendeu muito, na escola. Estamos produzindo um livro todo com papel reciclado, baseado no "O Mundo do Trabalho", de Pierre Verger. Os alunos estão animadíssmos com as fotografias, as montagens e com a confecção do papel.
O livro descreve as relações de trabalho existentes entre alguns países da África e o Brasil, através de fotografias e pequenos mapas.

Gostinho do making off:


Trabalho da colônia de pescadores:

domingo, 7 de novembro de 2010

NOBODY KNOWS ME

I've had so many lives
Since I was a child
And I realise
How many times I've died
I'm not that kind of guy
Sometimes I feel shy
I think I can fly
Closer to the sky

I… I sleep much better at night
I feel closer to the light
Now I'm gonna try
To improve my life

But why should I care?
What the world thinks
of me
Won't let a stranger
Give me a social disease

No ones telling me
How to live my life
But it's a setup and
i just fed up


Adoro essa música da Madonna. Minha versão favorita é a da Re-Invention Tour.




Eu aqui, neste blog

As horas conquistadas à morte impõem tensão ao relato e uma brevidade que Scherazade teme não controlar até o amanhecer. A cada noite torna-se mais penoso defender a vida e a história. Dissimula, porém, as vicissitudes que enfrenta, como se, liberta dos dispositivos impostos pelo Califa, dispusesse de condições privilegiadas. (Nélida Piñon, Vozes do Deserto)

UMA IDÉIA ORIGINAL

Esta foi uma das primeiras poesias que escrevi. E ainda é a minha favorita. Acho que é porque tem cara de Marcia Frazão misturada com Clarice Lispector (na época, lia muito as duas).

UMA IDÉIA ORIGINAL

Cansei de ouvir as mesmas músicas, os mesmos sons.
Cansei de usar as mesmas roupas, os mesmos tons.
Cansei de fazer as mesmas coisas, os mesmos dons.
Chegou a hora de mudar!!!
Pintarei meu cabelo de verde, pra combinar com meus olhos...
Usarei roupas lilás pra não combinar com nada...
Mudarei meu discurso. Recitarei Eurípides.
Chega de mesmices!!!
Preciso de idéias originais.
Melhor é raspar a cabeça pra ventilar...
Vou fazer uma maldade!
Vou fazer uma bondade também.
Rir de mim mesmo, e chorar, quem sabe, talvez.
É hora de pintar a vida... mudar, reformar...para ver se a idéia vem!!!

Tolerância ZERO

Essas são típicas... por que sempre tem besta que faz pergunta idiota, hein?

Garçon (para o casal que senta à mesa) - É para dois?
Homem - Não, eu vou comer e ela só vai ficar assistindo.
Maître (ao freguês que chega) - É pra jantar?
Freguês - Não, é pra jogar tênis. (pausa) Tem raquete? Não?! Então a gente aproveita e janta.
Mulher (ao marido chegando em casa todo molhado) - Está chovendo?
Marido - Não , é que todo mundo na rua resolveu cuspir em mim,
Amigo 1 (encontrando outro na rua) - Cortou o cabelo?
Amigo 2 - Não, caiu
Repórter de TV (para senhora subindo escadaria da igreja de joelhos) - Pagando promessas?
Senhora - Não, é que sou muito alta, então eu ando assim pra não chamara a atenção.
Dona de casa (abrindo a porta para o convidado) - Oi, você veio?
Convidado - Não, não sou eu não, é o outro.
Namorada (recebendo flores) - São flores?
Namorado - Não, são cenouras.
Namorada (na volta do cinema, encontrando namorado com capacete na mão) - Veio de moto?
Namorado - Não, eu vim com isso na cabeça pra não despentear o cabelo.
Chefe (no escritório) - Voltou de férias?
Empregado - Não, ainda tô lá.
Passageiro 1 (a bordo do avião) - Está indo pra Goiás?
Passageiro 2 - Não, eu peguei o avião errado.
Ascensorista (no térreo, para hóspede que chega) - Sobe?
Hóspede - Não, eu quero só ficar dentro do elevador parado.
Apostador (no prado) - A senhora gosta de corridas de cavalos?
Apostadora - Não, eu venho aqui para sofrer
Médico - Dói?
Paciente -Não, eu estou gritando só pra assustar a enfermeira.
Senhora (ao ver um senhor acendendo um charuto) - O senhor fuma charuto?
Senhor - Não, senhora, é que eu estou treinando pra pai-de-santo.
Banhista fora d'água - Aí onde você está dá pé?
Banhista dentro d'água - Só lá no fundo.

MARASMOS DE UM WORKAHOLIC

Todo final de domingo é sempre igual: rever o que não foi feito na semana passada, fazer a agenda da semana que está começando, tudo isso zapeando os canais enjoadíssimos da TV, comendo algo que sempre gera arrependimento no dia seguinte.
E o pior: a certeza de que tem de acordar cedíssimo para começar a rotina.
Como eu gostaria de não ser workaholic!!!

da Fernanda Young ....

Adoro essas cartas louquíssimas que a Fernanda Young escreve. Leio sempre, e, às vezes, parece que fui eu quem escreveu. Coisas de leitor que quer ser escritor e monta blog pra isso....

Carta-desabafo-padrão


Nome da cidade, tanto de tanto de dois mil e tanto. Nome do destinatário Envio esta carta porque nunca mais quero você na minha frente. E dessa vez falo sério. Nunca mais quero ouvir a sua voz, mesmo que seja se derramando em desculpas. Nunca mais quero ver a sua cara, nem que seja se debulhando em lágrimas arrependidas. Quero que você suma do meu contato, igual a um vírus ao qual já estou imune. A verdade é que me enchi. De você, de nós, da nossa situação sem pé nem cabeça. Não tem sentido continuarmos dessa maneira. Eu, nessa constante agonia, o tempo todo imaginando como você vai estar. E você, numas horas doce, noutras me tratando como lixo. Não sou lixo. Tampouco quero a doçura dos culpados, artificial como aspartame.Fico pensando como chegamos a esse ponto. Como nos permitimos deixar nosso amor acabar nesse estado, vendido e desconfiado. Não quero mais descobrir coisas sobre você, por piores ou melhores que possam ser. Não quero mais nada que exista no mundo por sua interferência. Não quero mais rastros de você no meu banheiro.Assim, chega. Chega de brigas, de berros, de chutes nos móveis. Chega de climas, de choros, de silêncios abismais. Para quê, me diz? O que, afinal, eu ganho com isso? A companhia de uma pessoa amarga, que já nem quer mais estar ali, ao meu lado, mas em outro lugar? O tédio a dois - essa é a minha parte no negócio? Sinceramente, abro mão. Vou atrás de um outro jeito de viver a minha vida, já que em qualquer situação diferente estarei lucrando. Mas antes faço questão de te dizer três coisas.Primeira: você não é tão interessante quanto pensa. Não mesmo. Tive bem mais decepções do que surpresas durante o tempo em que estivemos juntos.Segunda: não vou sentir falta do teu corpo. Já tive melhores, posso ter novamente, provavelmente terei. Possivelmente ainda esta semana.Terceira: fiquei com um certo nojo de você. Não sei por quê, mas sua lembrança, hoje, me dá asco. Quando eu quiser dar uma emagrecida, vou voltar a pensar em você por uns dias. Bom, era isso. Espero que esta carta consiga levantar você do estado deplorável em que se encontra. Mentira. Não espero nenhum efeito desta carta, em você, porque, aí, veria-me torcendo pela sua morte. Por remorso. E como já disse, e repito, para deixar o mais claro possível, nunca mais quero saber de você.Se, agora, isso ainda me causa alguma tristeza, tudo bem. Não se expurga um câncer sem matar células inocentes. Adeus, graças a Deus. Nome do remetente. P.S.: esta não é mais uma dessas cartas-desabafo. .S. do P.S.: esta é uma carta-desabafo-quase-música-de-Adriana-Calcanhoto.


Ofélia, por Rimbaud

Sur l'onde calme et noire où dorment les étoiles
La blanche Ophélia flotte comme un grand lys,
Flotte très lentement, couchée en ses longs voiles...
- On entend dans les bois lointains des hallalis.

Voici plus de mille ans que la triste Ophélie
Passe, fantôme blanc, sur le long fleuve noir
Voici plus de mille ans que sa douce folie
Murmure sa romance à la brise du soir

Le vent baise ses seins et déploie en corolle
Ses grands voiles bercés mollement par les eaux ;
Les saules frissonnants pleurent sur son épaule,
Sur son grand front rêveur s'inclinent les roseaux.

Les nénuphars froissés soupirent autour d'elle ;
Elle éveille parfois, dans un aune qui dort,
Quelque nid, d'où s'échappe un petit frisson d'aile :
- Un chant mystérieux tombe des astres d'or

II
O pâle Ophélia ! belle comme la neige !
Oui tu mourus, enfant, par un fleuve emporté !
C'est que les vents tombant des grand monts de Norwège
T'avaient parlé tout bas de l'âpre liberté ;

C'est qu'un souffle, tordant ta grande chevelure,
À ton esprit rêveur portait d'étranges bruits,
Que ton coeur écoutait le chant de la Nature
Dans les plaintes de l'arbre et les soupirs des nuits ;

C'est que la voix des mers folles, immense râle,
Brisait ton sein d'enfant, trop humain et trop doux ;
C'est qu'un matin d'avril, un beau cavalier pâle,
Un pauvre fou, s'assit muet à tes genoux !

Ciel ! Amour ! Liberté ! Quel rêve, ô pauvre Folle !
Tu te fondais à lui comme une neige au feu :
Tes grandes visions étranglaient ta parole
- Et l'Infini terrible éffara ton oeil bleu !

III
- Et le Poète dit qu'aux rayons des étoiles
Tu viens chercher, la nuit, les fleurs que tu cueillis ;
Et qu'il a vu sur l'eau, couchée en ses longs voiles,
La blanche Ophélia flotter, comme un grand lys.

Arthur Rimbaud