quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

ANYWHERE


Há alguns anos, fui a São Paulo, na Bienal Internacional de Arte e, entre milhares de trabalhos, o que mais me agradou foi uma mistura de pintura com instalação. Era uma parede imensa, gigante, com um tapete no chão e algumas plantas. Olhando de longe, parecia tudo a mesma coisa e, quanto mais me aproximava, mais eu mergulhava naquilo e começava a fazer parte daquela paisagem artificialmente natural.
Até que, em algum momento, acharam que eu era um holograma perdido no meio daquele espaço. Desde então, acho que aquilo roubou minha existência e vivo como holograma, dissolvendo-me nas paisagens em que me insiro.
Essa semana, lendo um livro de J. M. Coetzee, chamado “Desonra”, deparei-me com um pensamento do personagem que atrai a fala do poeta Wordsworth, na poesia “De um nu despenhadeiro”. É fato que perdemos, às vezes, essa mistura tão transparente de razão e sentidos quando nos deparamos com algo, que nos sempre pareceu ser real.
A pergunta que o livro faz e que repasso: “como posso manter a imaginação pura, protegida dos ataques da realidade?”
A resposta do autor é boa, não me convence muito. Prefiro jogar aqui e deixar para que alguém me faça pensar mais um pouco.





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